| Céu Incandescente - Cotidiano |
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O Vermelho forte, daquele céu estranho, me perturbava muito, mesmo depois de tanto tempo, naquele planeta tão estranho, a vegetação verde era extremamente rara, e quando surgia aqui e ali, não se parecia nada com a terrestre, mais próxima à realidade do meu passado era a grama que infestava aquele planície em que eu vivia, mas mesmo ela agia de modo estranho, àquela hora da manhã ela já modificara sua cor e tornava-se marrom, ou melhor amarronzada, quase amarela como que atingida por uma seca profunda, ao entardecer ela novamente se modificava e se tingia de um verde claro e pálido que em uma lenta metamorfose tornava-se cada vez mais profundo até atingir o seu apogeu no ocaso do sol vermelho , nunca entendi bem o mecanismo, mas a impressão que me fica é que a cor amarela protegia as folhas daquela luz vermelha de Hugo, é como uma armadura a ser retirada com a saída de cena do Sol de sangue pondo a mostra o verde faminto pela luz comum de Angus, a estrela branca, que se não fosse o tamanho diminuto no céu, bem poderia passar-se pelo saudoso sol da minha amada terra. Nunca poderia imaginar a falta que a familiaridade poderia fazer a este pobre desterrado ! Eu viajei por toda a terra antes de me lançar a esta aventura, que , provavelmente, será a ultima, conheci paragens completamente diferentes, como as florestas luxuriantes da região amazônica e da índia. Convivi com a vegetação rala das estepes africanas e da caatinga brasileira. Impressionei-me com as imensas sequoias norte-americanas. E muito mais ! Até chegar a um ponto em que uma arvore nada mais era que uma arvore, tivesse ela o formato que tivesse. Mas essas arvores estranhas... Não pude evitar o choque. Acho que algo com a cor, tudo neste planeta maluco, esquecido do criador tem cores pasteis, a noite melhora mas de dia, porra de dia parece que eu estou caminhando sobre uma terra feita de bosta seca ! Até agora não consigo me conformar com o destino que coube a mim, quanto mais esperto a gente se acha mais fácil de cairmos em ciladas simples ! Minha noção de tempo, neste mundo de cores mortas e de dias com duração variável, foi perdendo-se aos poucos, pudera não da nem mesmo para fazer uma tabela comparativa dos dias deste lugar com o tempo terrestre, e desde que o ultimo relógio da base parou Osteo tornou-se um mundo do "mais ou menos": "É mais ou menos meio-dia", "passaram-se mais ou menos 10 dias", etc. Por exemplo, sei que fazem mais ou menos 3 anos que estou no mundo do mais ou menos. Antes da quebra do ultimo relógio não, antes o tempo era preciso, foram exatamente 11 anos, três dias e 20 horas de Inferno de céu rubro ! O que nos leva a crer que a mais ou menos 14 anos ESTOU ENTERRADO NESTE INFERNO !!!!!!!! O dia da partida nunca me saiu da cabeça, o Nautilus transformado novamente em nave subindo lentamente e distanciando-se, tornando-se um ponto cada vez menor ate desaparecer completamente. De humanos no planeta só eu e a carcaça restante da base, aproximadamente 20 salas espalhadas em torno de um vão circular de aproximadamente 200 metros de raio, onde uma duríssima terra, ressecada pêlos 15 anos de cobertura da nave original servia de piso, todas as salas são construídas em uma liga de plástico-metal com grandes janelas de fiber-glass transparente que se escurecem automaticamente à presença da luz solar, impedindo a visão de seu interior mas permitindo uma visualização perfeita do exterior. Outrora um filtro biológico impedia a entrada da luz branca de Argus hoje eles não funcionam mais, impedes a radiação vermelha mas o alvorecer branco e fortíssimo entra sem pedir licença ! No subsolo, estavam os depósitos e o equipamento pesado que captava a água do mar e a processava para o consumo, alem de maquinas que processavam a luz dos sois daquele sistema captada por um mini satélite que orbitava o planeta e gerando energia elétrica ! A base era auto-suficiente em produção de alimento vegetal gerado em estufas automaticamente gerenciadas por sistemas de informática. Os computadores principais haviam ido com a nave, mas uma das regras de segurança era a montagem de uma Segunda base de tecnologia, separada do núcleo central, quando da montagem de uma base em um planeta distante ! Este é meu universo no planeta, estas salas e depósitos com todo o seu conteúdo, sou o grande rei e meu único súdito! Não único não, existe o Saulo também, mas ele é mais um bichinho de estimação de duzentos quilos, um misto de gente e animal, tão inteligente quanto um homem mas com um corpo de fera ! Misteriosa criatura, que eu desconfio possuir poderes alem do que eu posso imaginar! Um sábio, que desconfio Ter uma ancestralidade bestial, tenho que fazer uma anotação mental de perguntar-lhe da origem de seus antepassados. Agora posso vê-lo deitado sobre a grama amarelada com seus 300 quilos de músculos e pêlos marrons, estranho, ele também muda de cor com o sol ! Todo o complexo, ou o que sobrou dele é monitorado por camêras e sempre foi desde que chegamos, uma das minhas diversões é ficar revendo as centenas de vídeos e reconhecendo meus companheiros de viagem. Existe também no complexo uma imensa quantidade de filmes, livros e musicas, gravados em pequenos discos de 2 polegadas, e uma sala de projeção com uma grande tela de plasma de 2 metros em seu maior lado, cameras gravam também os arredores e os principais pontos do planeta com transmissão e simultânea em qualquer uma das telas espalhadas pelo complexo. Não existe nenhuma maneira de me comunicar com o planeta terra, meus algozes se incumbirão de garantir meu total desterro ! Meu amigo Urso levanto sua cabeçorra, e olha para mim, fixamente, será possível que pode ver através do vidro escuro, desta distancia não consigo perceber se seus olhos seguem meus movimentos. Ele me convidou para um passeio pelo planeta, quer me apresentar a lugares que não estão nos arquivos, encontrei um pequeno veiculo para um só passageiro em um dos depósitos, completamente funcional, amanha uma maratona começa, vamos ver a surpresas deste mundo amarelo, vermelho e marrom.
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